O município de Castelo Branco está a desenvolver uma nova rota pedestre que pretende valorizar o complexo mineiro de Monforte da Beira, integrado no projeto «TEUNESCO – Territórios UNESCO da EUROACE», financiado pelo Programa de Cooperação Transfronteiriça INTERREG VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021-2027, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Esta iniciativa contempla a identificação, o estudo e a possibilidade de visita a duas minas — a Mina da Tinta e a Mina do Pó — com o objetivo de as transformar num atrativo turístico relevante, promovendo o geoturismo e valorizando o património natural e cultural da região. Inserido num contexto geológico de grande relevância, o projeto destaca os vestígios da exploração mineira de jazidas supergénicas de ferro na Serra de Monforte (ou Serra do Povo), cujas origens remontam à Idade do Ferro e se prolongaram até ao período romano.
Neste espaço ecológico privilegiado será criada uma rota circular pedestre com interpretação, denominada «À descoberta da Serra de Monforte», com início e fim em Monforte da Beira. Esta rota será desenvolvida de acordo com os princípios das Rotas Geoturísticas do Geoparque Naturtejo, promovendo uma abordagem sustentável para a valorização do território, através da interpretação dos diversos valores patrimoniais existentes, com a participação ativa da comunidade local.

Inspirando-se nas boas práticas de geoturismo desenvolvidas na região da Extremadura, em Espanha — em particular nas rotas da Cueva del Buraco e da Cueva de la Grajera, em Santiago de Alcántara (Sierra de San Pedro), áreas de património mineiro com características geológicas semelhantes às de Monforte da Beira — o projeto pretende afirmar-se como um exemplo de cooperação transfronteiriça na promoção do património partilhado.
Paralelamente à implementação da rota, está prevista a digitalização do património histórico, cultural e natural do território. A rota será promovida através de plataformas digitais como:
- Responsible Trails
- Outdooractive
Estas ferramentas incentivam práticas responsáveis, a proteção do meio ambiente e o turismo de natureza de baixo impacto. Oferecem funcionalidades como:
- Partilha de fotografias, avaliações e comentários
- Sinalização de ocorrências e alertas em tempo real
- Indicação de desvios ou encerramentos temporários
- Promoção de serviços locais como restaurantes, alojamentos, museus e comércio
A aposta nestas soluções digitais tem como objetivo não só aumentar a atratividade turística, mas também facilitar a gestão do território e criar uma ligação mais próxima com os visitantes, promovendo um turismo mais consciente, acessível e sustentável. Através destas intervenções, pretende-se fomentar a geoconservação, apoiar o desenvolvimento local e contribuir para a dinamização dos territórios transfronteiriços de baixa densidade populacional.
O projeto TEUNESCO tem como missão contribuir para o desenvolvimento sustentável do turismo nos territórios reconhecidos pela UNESCO — Naturtejo (PT), Tejo Internacional (ES, PT), Monfragüe (ES) e Villuercas-Ibores-Jara (ES) — promovendo os recursos autóctones, reforçando a identidade cultural partilhada e incentivando estratégias conjuntas de valorização, baseadas na investigação, no conhecimento e na acessibilidade turística.
Com um orçamento global de 2,37 milhões de euros, dos quais 75 % são financiados pelo FEDER, o projeto reúne um total de 15 entidades parceiras, entre as quais:
- Diputação Provincial de Cáceres (beneficiária principal)
- Municípios portugueses de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Marvão, Portalegre, Penamacor, Castelo de Vide e Vila Velha de Ródão
- A entidade Naturtejo
- Direções-Gerais da Extremadura nas áreas do património, território, desenvolvimento rural, juventude, desporto e emprego (SEXPE)
Com esta intervenção, o município de Castelo Branco reafirma o seu compromisso com a valorização dos recursos naturais e culturais do território, apostando na inovação, na sustentabilidade e na cooperação para promover o desenvolvimento turístico e económico da região.